{"id":1312,"date":"2026-10-29T18:17:28","date_gmt":"2026-10-29T18:17:28","guid":{"rendered":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/produto\/ascensao-e-queda-dos-imperios\/"},"modified":"2026-10-29T18:17:28","modified_gmt":"2026-10-29T18:17:28","slug":"ascensao-e-queda-dos-imperios","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/produto\/ascensao-e-queda-dos-imperios\/","title":{"rendered":"Ascens\u00e3o e Queda dos Imp\u00e9rios"},"content":{"rendered":"<p>A China, que hoje vemos como uma super-pot&ecirc;ncia em ascens&atilde;o, nem sempre foi um colosso mundial. De facto, durante milhares de anos, a hist&oacute;ria chinesa &eacute; uma sucess&atilde;o de ferozes lutas pela supremacia entre muitos estados e reinos. Ascens&atilde;o e Queda dos Imp&eacute;rios relata-nos um desses grandes per&iacute;odos de convuls&atilde;o, que viria a terminar na unifica&ccedil;&atilde;o da China. <\/p>\n<p>Numa narrativa verdadeiramente apaixonante, descobrimos o fausto das cortes, as tramas dos ministros e as &eacute;picas batalhas entre grandes ex&eacute;rcitos, bebendo da boca dos s&aacute;bios pensamentos milenares que fizeram da China o que hoje &eacute;. <\/p>\n<p>Uma obra rar&iacute;ssima em l&iacute;ngua portuguesa e que enriquece o panorama editorial portugu&ecirc;s, abrindo ao grande p&uacute;blico uma janela indiscreta sobre o misterioso e sedutor gigante do Oriente. <br \/>\nAscens&atilde;o e Queda dos Imp&eacute;rios de Ming Ping, Yuan Yang <\/p>\n<p>\nExcerto <br \/>\nPref&aacute;cio <\/p>\n<p>1. As batalhas de que este livro trata n&atilde;o fazem parte do nosso imagin&aacute;rio colectivo. Nunca delas ouvimos falar, nem serviram para resolver diferendos que de algum modo nos tenham motivado ou afectado. <\/p>\n<p>Aljubarrota, disse-o Jo&atilde;o Gouveia Monteiro, foi para a hist&oacute;ria medieval portuguesa &quot;a m&atilde;e de todas as batalhas&quot;. Waterloo, confirmando o que em Leipzig se havia j&aacute; desenhado, desfez o sonho napole&oacute;nico de reconquista da hegemonia e abriu uma nova era nas rela&ccedil;&otilde;es entre as pot&ecirc;ncias europeias. Gettysburg, com a qual se quis promover interesses mas tamb&eacute;m valores, pode ter decidido o destino de uma grande na&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o ainda em constru&ccedil;&atilde;o e que hoje ocupa o primeiro lugar, em capacidade econ&oacute;mica e militar, no concerto internacional. Dien Bien Phu, premiando o apego a uma causa mobilizadora e a vontade de vencer apesar das enormes dificuldades, for&ccedil;ou a capitula&ccedil;&atilde;o dos franceses na Indochina, anunciou a derrota dos norte-americanos no Vietname e ter&aacute; sido uma refer&ecirc;ncia exemplar, como t&atilde;o oportunamente relembra Jos&eacute; Alberto Loureiro dos Santos, para todos os que, no s&eacute;culo passado, se envolveram em guerras de liberta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Em contrapartida, Mingtiao e Chengpu, entre outras de que nesta obra se fala, foram travadas antes de Cristo nascer, &eacute; certo, mas acima de tudo numa terra demasiado long&iacute;nqua e por um povo que durante muito tempo n&atilde;o soubemos sequer que existia. Podemos ent&atilde;o ser levados a admitir que pouco ou nada ter&atilde;o para nos ensinar. <\/p>\n<p>2. Acontece, por&eacute;m, que alguns dos homens que conduziram estas batalhas, ocorridas em terras distantes e desconhecidas, assim como os que, nessa altura, nelas encontraram o melhor dos substratos emp&iacute;ricos para o estudo da coac&ccedil;&atilde;o e do antagonismo, come&ccedil;aram a reflectir sobre aquilo a que hoje chamamos estrat&eacute;gia, e a escrever sobre ela, e a tentar perceber como poder&aacute; um tal dom&iacute;nio do saber contribuir para a obten&ccedil;&atilde;o de superioridade em contextos de natureza conflitual, ainda antes de no Ocidente se ter cunhado a palavra. <\/p>\n<p>T&#8217;ai Kung, a quem se atribuem Os Seis Ensinamentos Secretos, ter&aacute; pintado caracteres no bambu, para transmitir o resultado das suas experi&ecirc;ncias de sucesso nos dom&iacute;nios da estrat&eacute;gia subversiva e da estrat&eacute;gia do fraco ao forte, no final do s&eacute;culo XI a.C. E Sun Tzu, nos treze cap&iacute;tulos d&#8217;A Arte da Guerra, por volta do s&eacute;culo VI a.C., lan&ccedil;a as sementes daquilo que muito mais tarde se designar&aacute; por estrat&eacute;gia integral e estrat&eacute;gia indirecta. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo e n&atilde;o menos relevante, tal como estes, outros cl&aacute;ssicos estrat&eacute;gicos e militares chineses, que viveram e escreveram na &eacute;poca em que os confrontos que esta obra retrata se integram, s&atilde;o bem ilustrativos da cumplicidade que nestas paragens se estabelecia entre o fazer e o pensar, e para a qual T&#8217;ai Kung, por muitos considerado o primeiro grande estrategista-general, ter&aacute; servido de paradigma. Veja-se o caso de Wu Ch&#8217;i, posteriormente conhecido por Wu-tzu, que na passagem do s&eacute;culo V para o IV a.C. comandou sucessivamente os ex&eacute;rcitos de tr&ecirc;s Estados (Lu, Wei e Ch&#8217;u), saindo sempre vitorioso das batalhas que liderou, e que nos legou um s&oacute;brio e l&uacute;cido tratado, eminentemente realista, contendo, entre outras considera&ccedil;&otilde;es, valiosos conselhos acerca da conquista e da preserva&ccedil;&atilde;o de vantagens estrategicamente decisivas. <\/p>\n<p>Esta cumplicidade entre o fazer e o pensar levaria ao desenvolvimento de teorias da ac&ccedil;&atilde;o, simultaneamente descritivas (o que aconteceu), explicativas (por que raz&atilde;o aconteceu desta e n&atilde;o daquela maneira) e prescritivas (o que deveria ter acontecido para que os resultados fossem favor&aacute;veis e, portanto, o que se dever&aacute; fazer no futuro). &Agrave; vertente prescritiva dos sistemas te&oacute;ricos concebidos por estes ilustres estrategistas de antanho t&ecirc;m in&uacute;meros l&iacute;deres pol&iacute;ticos, militares e empresariais dedicado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas uma aten&ccedil;&atilde;o que vai crescendo de forma impar&aacute;vel. <\/p>\n<p>Muito curioso &eacute;, sem d&uacute;vida, o tremendo impacto que as ideias dos cl&aacute;ssicos chineses da estrat&eacute;gia t&ecirc;m tido no exigente contexto da rivalidade entre empresas que competem em mercados vincadamente concorrenciais. Curioso, ou nem tanto. &Eacute; que o interesse dos que gerem o desempenho de tais empresas pelas obras desses autores resultar&aacute;, nem sempre mas em grande medida, de uma tomada de consci&ecirc;ncia que se vem paulatinamente afirmando e que consiste no seguinte: as principais linhas de for&ccedil;a do pensamento estrat&eacute;gico n&atilde;o conhecem fronteiras; donde, vale a pena reflectir sobre o que se fez nos campos de batalha para perceber o que deve ser feito em &aacute;reas de neg&oacute;cio e segmentos de mercado. (Infelizmente, em Portugal, a preciosa heran&ccedil;a que nos foi transmitida por not&aacute;veis pensadores da estrat&eacute;gia militar &eacute; frequentemente encarada com aquela grosseira sobranceria que brota do atraso e da ignor&acirc;ncia. Em pa&iacute;ses com economias altamente competitivas, l&ecirc;-se Clausewitz e estuda-se a opera&ccedil;&atilde;o Tempestade no Deserto em diversos centros de excel&ecirc;ncia para o ensino da gest&atilde;o, mas isso &eacute; j&aacute; outra conversa). <\/p>\n<p>Em definitivo, no arco de tempo que os autores desta obra elegeram como referencial, e precisamente nessa China imensa das transi&ccedil;&otilde;es din&aacute;sticas e, no per&iacute;odo dos Estados Guerreiros ou dos Reinos Combatentes, das rivalidades intensas entre senhores feudais, surgiram duas das que considero serem as tr&ecirc;s mais importantes escolas do pensamento estrat&eacute;gico, a saber, as da estrat&eacute;gia subversiva e da estrat&eacute;gia indirecta, cujos pais fundadores foram, respectivamente, os j&aacute; mencionados T&#8217;ai Kung e Sun Tzu. (A terceira das mais importantes, esta sim nascida da experi&ecirc;ncia europeia, por sua vez submetida ao exame rigoroso do labor reflexivo prussiano, &eacute;, naturalmente, a do pensamento clausewitziano). <\/p>\n<p>3. Ao lermos as hist&oacute;rias que estas batalhas nos contam tomamos contacto com uma sabedoria profunda e subtil, n&atilde;o apenas acerca dos modos de fazer a guerra, mas se calhar principalmente acerca do modo como os homens a devem percepcionar e como nela se devem comportar. Nalguns casos, o conhecimento inspirador que daqui se desprende antecipa em quase tr&ecirc;s mil anos as descobertas que os ocidentais, &agrave; custa de um percurso muito doloroso, acabariam, tamb&eacute;m eles, por fazer. Noutros, assume-se como adquirido aquilo que em muitas partes de um mundo culturalmente sofisticado e ao fim de tantos anos parece n&atilde;o se ter ainda aprendido. <\/p>\n<p>Tendo em conta o que aconteceu no Iraque, uma vez ultrapassada a primeira fase da guerra ainda em curso, poder&aacute; algu&eacute;m ficar indiferente &agrave; postura adoptada por Le Yi, por volta de 280 a.C.? Sendo um homem &quot;extremamente versado em estrat&eacute;gia&quot;, no rescaldo de uma grande e bem sucedida ofensiva que lan&ccedil;ou contra o Estado de Qi, administrou &quot;o territ&oacute;rio ocupado com virtude e justi&ccedil;a&quot;. Porque sabia que &quot;recorrendo apenas &agrave; for&ccedil;a, n&atilde;o conseguiria conquistar o cora&ccedil;&atilde;o do povo de Qi&quot;, depois de submeter o advers&aacute;rio e de se apoderar da quase totalidade do seu territ&oacute;rio, empenhou-se em &quot;vestir e alimentar as suas gentes&quot;, de tal forma que &quot;o povo j&aacute; n&atilde;o o via como um agressor nem tinha qualquer raz&atilde;o para combater e recuperar as terras que o Estado perdera&quot; (Cf. Cap&iacute;tulo 5: Um regresso dram&aacute;tico). <\/p>\n<p>No cerne desta postura encontramos uma ideia que os maiores chefes pol&iacute;ticos e militares chineses interiorizaram e que foi ali&aacute;s usada como suporte dos movimentos subversivos que provocaram a derrocada dalgumas dinastias: a necessidade de governar com rectid&atilde;o e benevol&ecirc;ncia, e de criar riqueza no interior das fronteiras, para que assim aumente a coes&atilde;o social e, por via dela, a comunh&atilde;o de interesses, a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o e a unidade de esfor&ccedil;os; mas tamb&eacute;m, havendo guerra, a necessidade concomitante de proporcionar boas condi&ccedil;&otilde;es de vida, materiais e espirituais, &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es dos Estados subjugados, mostrando-lhes, atrav&eacute;s de uma pr&aacute;tica governativa assente em realiza&ccedil;&otilde;es concretas, o muito que ter&atilde;o a ganhar com a mudan&ccedil;a de soberano. <\/p>\n<p>Como resulta claro de v&aacute;rias passagens desta obra, tornar um Estado globalmente poderoso significa, n&atilde;o apenas fortalecer o seu ex&eacute;rcito, como desenvolver a sua economia e p&ocirc;r em marcha reformas pol&iacute;ticas, de maneira a que os interesses do povo sejam acautelados e o seu apoio assegurado; por outro lado, os vencidos, pelo menos os n&atilde;o combatentes, devem ser tratados com defer&ecirc;ncia e n&atilde;o desprezados, devem ser cativados em vez de hostilizados. <\/p>\n<p>4. Seria deveras fastidioso, e at&eacute; despropositado, enumerar e a seguir traduzir para a linguagem contempor&acirc;nea da estrat&eacute;gia, neste pref&aacute;cio, tudo o que de mais significativo estas Hist&oacute;rias de Guerra da China Antiga t&ecirc;m para nos oferecer. Para al&eacute;m do mais, retirar-lhe-ia, a si, que tem o livro na m&atilde;o, o prazer da pesquisa e o desafio da interpreta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Limitar-me-ei, por isso, a salientar tr&ecirc;s aspectos que, segundo creio, se revestem de grande actualidade, estrategicamente falando. <\/p>\n<p>Desde logo, na quase totalidade dos confrontos descritos nesta obra pressente-se o desejo de conferir prioridade a uns quantos instrumentos de coac&ccedil;&atilde;o distintos do militar. Entrar em guerra &eacute; um assunto de formid&aacute;vel gravidade, pelo que a quest&atilde;o tem de ser cuidadosamente ponderada. <\/p>\n<p>Ora, as manobras clandestinas no seio da estrutura de poder do advers&aacute;rio, que se empreendem com o intuito de o desgastar, no essencial psicologicamente, visam, em primeir&iacute;ssima an&aacute;lise, enfraquecer o seu potencial estrat&eacute;gico, mas se forem executadas com superior mestria poder&atilde;o minar por completo a sua apet&ecirc;ncia pelo combate. No limite, o que se pretende &eacute; for&ccedil;&aacute;-lo a deixar cair as armas antes da batalha come&ccedil;ar. <\/p>\n<p>E as manobras diplom&aacute;ticas, que por vezes s&atilde;o tantas e t&atilde;o intrincadas que chegam a confundir-nos, visam, claro est&aacute;, refor&ccedil;ar o potencial estrat&eacute;gico dos que as promovem, mas s&atilde;o quase sempre levadas a cabo com o fito de colocar o advers&aacute;rio numa posi&ccedil;&atilde;o insustent&aacute;vel, no sentido em que o prosseguimento do confronto se lhe afigure demasiado arriscado. Mais uma vez, o que se pretende &eacute; demonstrar-lhe que deve desistir antes que a op&ccedil;&atilde;o pelo instrumento militar seja feita. <\/p>\n<p>Quer as manobras clandestinas, com consequ&ecirc;ncias essencialmente psicol&oacute;gicas, quer as diplom&aacute;ticas, com consequ&ecirc;ncias fundamentalmente dissuasoras, e mais ainda se tomadas em conjunto, tendem a remeter o instrumento militar para o papel de facilitador (a amea&ccedil;a do seu emprego credibiliza os restantes instrumentos) e de op&ccedil;&atilde;o derradeira (a ele se recorre depois dos outros falharem). &Eacute; este o terreno que viabilizar&aacute; o despontar da no&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gia nacional, perspectivada como estrat&eacute;gia integral. <\/p>\n<p>Em segundo lugar, s&atilde;o poucas as batalhas aqui relatadas em que o segredo e a dissimula&ccedil;&atilde;o, o logro e a ast&uacute;cia, enfim, os estratagemas engenhosos, n&atilde;o se destinem a cumprir um objectivo nuclear que &eacute; o de desgastar moralmente o advers&aacute;rio. Induzi-lo em erro, fatig&aacute;-lo e incutir-lhe um estado mental de profundo des&acirc;nimo s&atilde;o procedimentos aos quais em muitas situa&ccedil;&otilde;es se atribui primazia, sendo este o terreno no qual germinar&aacute; a possibilidade do menos poderoso, em meios materiais ou tang&iacute;veis, vencer o mais poderoso. <\/p>\n<p>Assim se explica por que raz&atilde;o foram os chineses os primeiros a teorizar sobre a ess&ecirc;ncia e os limites da chamada &quot;estrat&eacute;gia do fraco ao forte&quot;. E assim se compreende o seguinte epis&oacute;dio: ministros de vistas curtas afirmaram que &quot;desde tempos imemoriais o grande tem derrotado o pequeno e a na&ccedil;&atilde;o forte tem conquistado a na&ccedil;&atilde;o fraca&quot;, ao que Xie An, com a tranquila convic&ccedil;&atilde;o de quem possui sageza bastante, respondeu, &quot;Na hist&oacute;ria, h&aacute; muitos casos em que os pequenos derrotaram os grandes&quot; (Cf. Cap&iacute;tulo 11: A Batalha de Feishui). <br \/>\nPor &uacute;ltimo, surge nestes relatos uma tens&atilde;o aparente entre duas ideias: a de que a batalha deve ser meticulosamente planeada e a de que qualquer plano entrar&aacute; em colapso assim que se inicie a refrega. Digo aparente, j&aacute; que a tens&atilde;o se resolve distinguindo o &quot;antes&quot; e o &quot;durante&quot;: antes do embate, o planeamento n&atilde;o s&oacute; faz falta como &eacute; imprescind&iacute;vel na &oacute;ptica da gera&ccedil;&atilde;o, da mobiliza&ccedil;&atilde;o e da activa&ccedil;&atilde;o de recursos; durante o embate, n&atilde;o h&aacute; plano que resista. <\/p>\n<p>Digamos que quando o choque de vontades antag&oacute;nicas se concretiza, o planeamento tem de dar lugar &agrave; estrat&eacute;gia. A express&atilde;o &quot;planeamento estrat&eacute;gico&quot; &eacute;, portanto, um oximoro, isto &eacute;, incorpora termos que se contradizem. Cao Gui, que &quot;lera muitos livros sobre estrat&eacute;gia e que era um homem de grande talento&quot;, sustentaria que &quot;no campo de batalha a situa&ccedil;&atilde;o pode mudar a todo o momento&quot; e que, por conseguinte, &quot;os comandantes devem ser flex&iacute;veis&quot; (Cf. Cap&iacute;tulo 3: A Batalha de Changshuo). <\/p>\n<p>A l&oacute;gica do planeamento, fundada na programa&ccedil;&atilde;o, no controlo e na optimiza&ccedil;&atilde;o, quando aplicada &agrave; din&acirc;mica da conflitualidade ou da competitividade, pressup&otilde;e que se fixe uma traject&oacute;ria, que se detectem os desvios e que se introduzam no sistema as medidas correctivas que o obrigam a retomar o caminho predefinido. Fazer estrat&eacute;gia, em contrapartida, &eacute; estar dispon&iacute;vel para mudar de traject&oacute;ria sempre que as circunst&acirc;ncias se alteram, &eacute; saber escolher um caminho radicalmente inovador sempre que necess&aacute;rio, &eacute; aceitar a incerteza e tentar responder em tempo real ao inesperado que inevitavelmente emerge da dial&eacute;ctica de ac&ccedil;&otilde;es e reac&ccedil;&otilde;es em que se mergulhou. <\/p>\n<p>A din&acirc;mica da ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica pede qualidades da alma que n&atilde;o s&atilde;o as de um planeador; decorre num quadro de instabilidade e de imprevisibilidade intr&iacute;nsecas que nenhum plano consegue domar; processa-se entre sistemas complexos adapt&aacute;veis que interagem de forma n&atilde;o-linear e que, por esse motivo e entre outras particularidades singulares, est&atilde;o sujeitos ao fen&oacute;meno das pequenas causas que produzem grandes efeitos. <\/p>\n<p>Song Yi, que se tinha a si pr&oacute;prio na conta de um grande perito em &quot;planeamento militar e estrat&eacute;gico&quot;, &quot;vestido num quente casaco de peles&quot;, bebia e regalava-se com banquetes, enquanto as suas tropas passavam fome e frio, confusas pela sua indecis&atilde;o e desmoralizadas pela sua arrog&acirc;ncia (Cf. Cap&iacute;tulo 7: A Batalha de Julu). Noutro azimute, Zhao She, que ao contr&aacute;rio do seu filho Zhao Kuo n&atilde;o era um estrategista de poltrona que facilmente se deslumbrasse com os encantos do planeamento, e que em caso algum se deixaria ludibriar pela sua suposta valia estrat&eacute;gica, afirmaria: &quot;Comandar um ex&eacute;rcito &eacute; uma tarefa perigosa. Mesmo quando elaborados com o maior cuidado e dilig&ecirc;ncia, os planos t&ecirc;m sempre falhas&quot; (Cf. Cap&iacute;tulo 6: A Batalha de Changping). Clausewitz dir&aacute; que &quot;os planos s&atilde;o bons at&eacute; ao momento em que se inicia o combate; a partir dessa altura as decis&otilde;es passam a ser tomadas em fun&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos&quot;. <\/p>\n<p>5. N&atilde;o deve ser dado como garantido que as onze batalhas seleccionadas para esta obra sejam, de facto, as mais relevantes para o esclarecimento dos eventos que indelevelmente marcaram a hist&oacute;ria pol&iacute;tica e militar da China antiga. Mu-yeh e Ma-ling, por exemplo, n&atilde;o merecem refer&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Mas a primeira, em 1045 a.C., confirmou o derrube de uma dinastia com sete s&eacute;culos, a dos Shang, e colocou no poder o pequeno mas determinado reino dos Chou (Zhou), inaugurando-se assim uma nova dinastia que perduraria at&eacute; que, passados oito s&eacute;culos, a unifica&ccedil;&atilde;o e a centraliza&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;nticas fossem alcan&ccedil;adas com os Ch&#8217;in (Quin). <\/p>\n<p>E a segunda, em 341 a.C., foi um momento crucial de viragem nas lutas intermin&aacute;veis que por essa altura opunham os sete Reinos Combatentes na disputa pela supremacia, ditando a quase total aniquila&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito de Wei pelas tropas de Ch&#8217;i (Qi), o que abriu caminho a uma altera&ccedil;&atilde;o irrepar&aacute;vel dos equil&iacute;brios prevalecentes e, feitas as contas, ao brutal enfraquecimento de Han, ao desaparecimento de Wei e &agrave; lenta mas inexor&aacute;vel ascens&atilde;o de Ch&#8217;in. <\/p>\n<p>Em ambas foram postos &agrave; prova, com um sucesso retumbante, os m&eacute;todos preconizados e os procedimentos recomendados por dois eminentes estrategistas: T&#8217;ai Kung, ao servi&ccedil;o dos reis de Chou, na de Mu-yeh, e Sun Pin, supostamente um descendente de Sun Tzu, ao servi&ccedil;o do Estado de Ch&#8217;i, na de Ma-ling. <\/p>\n<p>Em todo o caso, n&atilde;o sendo a obra que o leitor agora folheia um comp&ecirc;ndio de hist&oacute;ria militar chinesa, a op&ccedil;&atilde;o dos autores deve ser entendida como resultando do desejo de repescar aqueles conflitos que, na sua avalia&ccedil;&atilde;o, ter&atilde;o proporcionado os ensinamentos mais expressivos. E os que melhor se prestam a uma narrativa de sabor ex&oacute;tico e agradavelmente instrutiva como a que as pr&oacute;ximas p&aacute;ginas encerram. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias de Guerra da China Antiga<\/p>\n","protected":false},"featured_media":1311,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[309],"product_tag":[722],"class_list":["post-1312","product","type-product","status-publish","has-post-thumbnail","product_cat-historia","product_tag-as-grandes-batalhas-da-historia","first","instock","taxable","shipping-taxable","purchasable","product-type-simple"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/product\/1312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1312"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=1312"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=1312"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/workmove.eu\/quidjuris\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=1312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}